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Conheça Riquewihr, cidade medieval na região do Alsace, França

Conheça Riquewihr, cidade medieval na região do Alsace, França

Sabe aqueles lugares que parecem saídos de um livro de fábulas? Essa cidadezinha francesa é um desses lugares. Conheça Riquewihr, cidade medieval na região do Alsace, França, e seus prédios e casinhas construídos há séculos e séculos, pintados em cores fortes; suas ruelas apertadas e restaurantes de comida típica de uma região fortemente influenciada pelas culturas alemã e francesa. A primeira menção à Riquewihr data de 1094

Visitei esse pequeno paraíso em março. Dormi uma noite e passei um dia na cidade passeando por suas ruas e fotografando os prédios lindos. A cidade está encrustada em uma pequena colina, e rodeada por vinhedos. Aliás, a região do Alsace é uma das famosas rotas de vinho na França. Recomendo visitar a região, que tive o prazer de conhecer em 2012. Passei por Estrasburgo, Savernne, Colmar, entre outras cidadelas pitorescas e igualmente lindas.

Riquewihr é uma das cidades mais visitadas da região. Na primavera e no verão fica especialmente florida, e o entalhe de madeira nas paredes dos imóveis dá um charme romântico ao lugar. A cidade tem 1200 habitantes, mas isso não significa pouca coisa para fazer. Se você curte explorar lugares pitorescos, saiba que Riquewihr tem muitos bares e restaurantes subterrâneos com atmosfera calorosa e comida deliciosa. Também e possível provar os vinhos da rota do Alsace em quase todos os estabelecimentos.

Andando pela cidade

Rue general du Gaulle – desça essa rua, que começa no Hotel de Ville, e é ladeada de casinhas magníficas. Pare no número 13 para observar esta belíssima casa do século XVI, em seguida se atenha no número 14 da rua, onde está a casa mais alta em enxaimel do Alsace.

La Dolder – fortificação de 25 metros de altura construída em 1291. Abriga o museu da cidade, com objetos que contam a história do local e de seus habitantes.

Tour de voleurs – a torre dos ladrões tem 18 metros e vale a visita para quem gosta de ver um pouco sobre a história da tortura e das punições nas idades medieval e média. O local abriga salas de tortura e cabines de guardas, com objetos e aparatos próprios de épocas passadas.

Rue du Cerf et Rue Saint Nicolas – ande por essas ruas para se maravilhar com as casa lindas, floridas e coloridas, seus arcos antigos e chão de paralelepípedos.

Castelo dos Wurtemberg – essa fortificação, construída no século XVI, vale a visita por abrigar o museu postal e retraçar a história das telecomunicações.

Recomendo a visita a Riquewihr a dois. A cidade é bem pequena e dá pra ver tudo tranquilamente em um dia, mas certamente você vai querer parar para aproveitar os restaurantes e provar alguns dos vinhos finos do lugar, além de entrar em algumas das poucas lojinhas locais. É perfeita para um fim de semana tranquilo no meio de vinhedos e cercada por séculos de história.

Você conhece ou tem o sonho de viajar para a França? Qual cidade ou região quer visitar?

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Vida nova em Paris

Vida nova em Paris

Bonjour mes amours!

Voilà, agora é assim que começarei meus posts, direto da cidade-luz. Já até alterei a cidade na home do blog, notaram? Chique! Pois bem leitores e leitoras, cá estamos nós de mala e cuia em Paris. Meu marido, meu filhote e eu. Deixamos tudo para trás em São Paulo para recomeçar novamente na França. Tudo aconteceu tão rápido que não deu tempo de atualizar vocês. Vida nova em Paris.

Visitei a cidade em três ocasiões, e em todas elas senti algo dentro de mim que não consigo explicar. Uma atração irresístivel, uma encantamento surreal, uma vontade absurda de me embebedar em sua estonteante beleza arquitetônica, em seu patrimônio artístico e riqueza cultural. Vontade de ser o Owen Wilson no filme “Meia-noite em Paris” e me transportar para uma época em que a cidade era o centro cultural e intelectual do mundo. IMG_9562

Eu caí de amores por Paris desde a primeira vez em que pisei os pés nela. Sim, meus olhos encheram de água quando cruzei a Ponte Alexandre III pela primeira vez, ou quando desci a Champs-Elysées à noite em plena época de Natal; ou quando caminhei e me sentei no Jardin des Tuilleries. Apesar disso nunca pensei de fato que um dia seria residente nessa que é considerada uma das cidades mais lindas e glamorosas do mundo. Foi uma surpresa total, não planejei nada. Adoro as reviravoltas da vida 🙂 Sempre imaginei como seria a vida aqui, mas era só um pensamento distante. Será que nosso inconsciente trabalha à nossa revelia? Parece que sim.

Aconteceu que no comecinho de julho perdi meu emprego em Sampa. Fiquei mega chateada, pois adorava meu trabalho na eduK. Em poucas semanas comecei a fazer entrevistas de emprego para vagas na Alemanha e na Suíça. Ser casada com um cidadão europeu me dá o direito de residir e trabalhar em qualquer país da União Européia onde meu marido decida fixar residência. O plano era voltar para a Suíça, ou no máximo ir morar em Munich, terra do Erik.

Enfim, o tempo passou e, apesar das boas perspectivas, nada de concreto rolava. Um dia vi uma vaga na área de comunicação em Paris, assim por acaso, que pedia uma pessoa bílingue português brasileiro/inglês. Resolvi me candidatar sem nenhuma expectativa. E foi justamente essa vaga que deu certo. Em dez dias eu tinha feito três entrevistas por telefone e respondido a vários e-mails. Eles me ofereceram o trabalho. Eu aceitei. Paris.

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Isso era comecinho de setembro. Aí começou a correria para vender coisas, alugar nosso apartamento em SP, cancelar isso e aquilo, burocracias mil e voilà: chegamos à França há duas semanas. Tem sido uma loucura, pois estamos num apartamento temporário, temos de lidar com a parte burocrática para estabelecer residência no país, tudo é novo para o nosso filho… Enfim, temos muito o que fazer.

Estamos felizes e certos de que fizemos uma boa escolha. Nosso baby vai crescer trilingue (português, alemão e francês), e só esse fato já valeria qualquer mudança. Ainda falta achar apartamento, comprar móveis, instalar telefone etc. Falta tudo, ha ha! O que será que o futuro nos reserva aqui? Só o tempo dirá. Em outubro de 2014 eu estava em São Paulo começando num trabalho novo, e jamais, nem nos meus sonhos mais loucos poderia imaginar que um ano depois eu estaria morando em Paris. De uma coisa eu tenho certeza: vou tentar tirar proveito de tudo aqui o máximo que eu puder, viver Paris em sua plenitude não apenas morar em Paris. Vai saber onde estaremos daqui, dois, três, cinco anos?

Abaixo algumas fotos dos primeiros dias (tiradas com iPhone, desolé), e numa delas meu filhote e eu.IMG_9577 IMG_9618 IMG_9615 IMG_9564

Preparem-se, pois Paris vai agitar esse blog.
bisous

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Aprenda a se vestir como uma parisiense

Aprenda a se vestir como uma parisiense

Quem curte moda geralmente tem certa admiração pelas francesas. A elegância das mulheres de lá já virou livro e até filme. Eu morei no interior da França e conheço várias cidades francesas, além de já ter ido a Paris várias vezes. Então posso dizer que elas são sim elegantes. E é difícil reproduzir a elegância das francesas, porque é quase que algo nato: elas prendem o cabelo num coque de qualquer jeito, jogam uma bolsa tote do lado, põem uns óculos estilo gatinho no rosto e voilà! Ficam chiquérrimas sem parecer que fizeram o mínimo esforço – effortless chic. E na verdade é assim mesmo, elas são chique sem se esforçarem demais. Algo que eu aprendi nesses anos de Europa foi que quanto mais informação sobre moda a gente tem, mais fácil desenvolver um estilo próprio. Consequentemente, menos esforço é preciso na hora de se vestir. Quem sabe o básico de moda e estilo consegue montar um look bacana em 20 minutos, por que o olho fica treinado na hora de saber o que vai com o que. O mesmo se aplica a maquiagem, que quanto mais a gente aprende a usar, mais fácil e rápido fica fazer um make bonito, simples e rápido.

Aprenda a se vestir como uma parisiense

Pois bem, nas minhas observações, alguns itens aparecem como verdadeiros clássicos no guarda-roupa da garota francesa. E se você gosta da elegância simples e do chique absoluto das mulheres daquele país, vale a pena investir nas peças abaixo.

1. O vestidoLa robe col Claudine, ou o vestido gola Claudine. Um verdadeiro ícone do estilo parisiense, a peça é uma das marcas registradas do estilo francês. Outro modelo que se cristalizou no imaginário das pessoas mundo afora é o preto fluído um pouco abaixo dos joelhos meia manga ou manga longa, estilo Coco Chanel. E pra finalizar tem o vestido um pouco acima dos joelhos com a saia levemente rodada. Simplesmente amo todos.

2. O cardigã de tweed – Esse é outro ícone do guarda-roupa francês que faz a gente reconhecer uma francesa de longe. A Chanel foi pioneira nesse tipo de casaco e lança coleções com ternos e saias de tweed até hoje. Ainda bem que todo mundo copiou e hoje as melhores marcas de fast fashion – Zara, Bel Air – vendem a peça.

3. A saia chá – Chique sem esforço, é isso o que a saia chá proporciona. Leve, sofisticada e comportada, ela pede poucos – porém marcantes – acessórios como um belo par de óculos, uma bolsa de mão e um batom destacado. As francesas amam esse comprimento de saia.

4 – O chapéu redondo de feltro – Eu tenho um, e amo. Acho esse modelo de chapéu a cara de Paris. É muito romântico e estiloso, e vem lá dos anos 30. E sim, quase toda francesa tem um desses.

5. A camisa estilo masculina – Oui, as francesas são super femininas e tals, mas adoram uma camisa masculina pra fazer o look chique-rebelde-descolada.

6. O sapato vintage de tiras – Coloque um vestido de gola Claudine até os joelhos, esses sapatos e um chapéu de feltro e voilà: uma parisiense típica.

Aprenda a se vestir como uma parisiense

8. Os lábios vermelhos – Não por acaso a francesa Christian Dior tem nada menos que 1500 tons de batom vermelho. Precisa explicar porquê?

Aprenda a se vestir como uma parisiense

09. A bolsa estruturada “lady bag”– Outro acessório do estilo francês exportado para o mundo inteiro e popular, a bolsa estruturada nunca mais saiu do ombro das francesas. Estamos falando de um dos maiores legados da Chanel ao mundo da moda.

11. A calça de listras – larga ou sequinha  – Talvez por influência de Yves Saint-Laurent, que lançou o terno feminino de calças e popularizou o estilo masculino entre as mulheres, o fato é que a calça listrada caiu no gosto das francesas. Acho chique!

12. As sapatilhas ultrafemininas (girlie) – Aprendi a usar sapatilhas estilo bailarina na Europa. Em Genebra – altamente influenciada pela cultura francesa – todas as garotas usam. Dá pra fazer looks super girlie ou chique, depende do estilo da sapatilha. Adoro.

14. Os inconfundíveis óculos de gatinho – Símbolo do chic parisien, os óculos de gatinho permanecem um clássico atemporal. Nunca me arrisquei a usar um, mas minha vida fashion não terá valido a pena se eu um dia eu não der as caras por aí de óculos de gatinho. Me aguardem.

15. O clássico lenço no pescoço – Outro item ao qual eu me rendi, tenho vários e acho que um lenço no pescoço pode deixar até um simples jeans com ares mais chiques. Na França, faça chuva ou faça sol, dificilmente as mulheres saem sem um lenço ou echarpe no pescoço, mesmo no verão. A gente se acostuma tanto a usar que o dia que não põe a peça parece que falta algo. Fica estiloso e deixa o pescoço protegido do frio.

16. O delineador líquido – Além da boca vermelha e do óculos de gatinho pra arrematar o look, as francesas são adeptas do delineado líquido estilo cat eye, ou delineado gatinho. Realmente a maioria das mulheres que eu via nas ruas de Paris com o olho maquiado usavam um delineado forte, marcante. Coisa que só um delineador líquido pode oferecer.

E vocês, curtem o estilo parisiense de ser? O interessante é perceber que a maioria dos itens são atemporais, verdadeiros clássicos que nunca saem de moda e perpetuam o estilo parisiense no imaginário dos amantes da moda.

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Gostosura à la française. Patisserie à Divonne-les-Bains

Gostosura à la française. Patisserie à Divonne-les-Bains

Assim que acabei de escrever o primeiro post de hoje meu chéri me convidou pra dar uma volta e aproveitar o dia bonito. Fomos para Divonne-les-Bains, uma cidadezinha francesa linda e charmosa que fica a 10 minutos de carro de casa. Mas, como subestimamos o frio, acabou que não andamos muito e voltamos rápido. Porém, antes, achamos uma doceria maravilhosa chamada Sébastian Brocard, e trouxemos umas guloseimas para fazer um goûter na nossa sala mesmo.

A palavra “goûter” significa fazer um lanchinho.

Meus olhos ficaram maiores nessa patisserie de tanta coisinha deliciosa e linda que vi. Tirei algumas fotos para vocês verem, pois os doces, macarrons e bolos são lindos e fotogênicos. Comprei seis macarrons, já comi três, fora as fatias do bolo de chocolate escandalosamente delicioso.

Recomendo muito essa patisserie em Divonne. Se o tempo tivesse permitido, teríamos ido andar na beira do lago e sentado às margens para degustar tudo sem medo de ser feliz. Aliás, Divonne é um ótimo lugar pra passear. Em breve falarei mais da cidade.

Aqui o bolo já em casa e metade comido 🙂
Nham nham, c’est si bon!
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Trabalhando em um showroom de luxo em Paris, parte II

Trabalhando em um showroom de luxo em Paris, parte II

Continuando com o relato começado no post “Trabalhando em um showroom de luxo em Paris, parte I, durante meu estágio no showroom Diane von Furstenberg trabalhei muito, mas muito mesmo. Eu fiquei responsável pelo “replanishing”, o que nada mais é do que organizar as coleções de roupas e acessórios no salão para que estejam sempre em ordem e bonitas. Vestimos as modelos num pequeno quarto, daí elas vão para o salão desfilar para os clientes, voltam, trocam de roupa e é  assim o dia todo. 

Passei o dia inteiro levando roupas, sapatos, bolsas e acessórios do quarto de troca para o showroom correndo, pois as araras não podiam nunca estar vazias! E detalhe: cada peça de roupa ou acessório tinha um número e uma letra do alfabeto, sendo que a letra correspondia à arara e o número à ordem em que a peça deveria ser disposta na mesma. 

Imaginem o inferno de ter 50, 60 peças jogadas no chão, salão cheio de compradores, araras semi-vazias e você tendo de correr com tudo, olhar número, letra, achar a arara correta e colocar tudo em ordem cartesiana. Ufa! Cansei só de lembrar! 

Eu começava a trabalhar às 8h da manhã e só parava lá pelas 20, 21h, sempre em pé e correndo. Ajudei a vestir modelos, fiz o “replanishing”, às vezes ficava responsável por fazer café e chá e servi-los aos clientes, fazer bandeijinhas com macarrons e doces para os clientes e para o pessoal de vendas. Em alguns momentos me sentia tão cansada que pensei em desistir, e por vezes pensava o que uma pessoa com a minha formação e diplomas estava fazendo ali, trabalhando de graça em algo bem abaixo do meu nível profissional. 



Mas na Europa, ao contrário do Brasil, esse tipo de trabalho é super bem visto mesmo em quem tem mestrado e fala línguas. As pessoas valorizam muito experiências pequenas. E como o grau de educação na Suíça é elevadíssimo, com montes de jovens poliglotas e com mestrados em boas universidades no currículo, é normal ver garotas trabalhando de vendedora em uma boutique de joalheria pequena ou até mesmo lojas de grife apredendo os macetes da venda direta ao consumidor, marketing, administração e manutenão de um ponto de venda no mercado do luxo como primeira experiência profissional no setor. Enfim, um exercício de humildade.

Enquanto no Brasil ter um excelente currículo na área de business ou comunicação e trabalhar em uma loja seja sinônimo de fracasso ou “falta de sorte” no mercado, aqui isso é visto como experiência válida e necessária, principalmente para quem almeja uma carreira nas citadas áreas. Na Suíça, ter uma boa formação é importante, mas desenvolver habilidades diversas em áreas diferentes da formação acadêmica é ainda mais, pois toda experiência é bem-vinda e bem aceita no mercado. Assim eu, com diploma em jornalismo e mestrado em mídia e comunicação em uma business school privada suíça, adicionei valor ao meu CV ao aceitar trabalhar de graça, por 10 dias, como estagiária de showroom de moda. 

Na visão das pessoas aqui, isso é prova de mente aberta e uma boa oportunidade de aprender algo a mais sobre uma área diferente da minha, lidar com pessoas e exercitar habilidades de comunicadora. Queria que no Brasil também tivéssemos essa mentalidade! Que o nosso mercado de trabalho conseguisse enxergar além do diploma, que valorizasse a experiência extracurricular e que os gerentes de RH conseguissem exergar que mesmo sendo graduado em administração, o sujeito só tem a enriquecer seu currículo com um estágio de verão no setor de música ou mesmo de moda, por exemplo. 

Metrô de Paris

Experiências assim enriquecem o vocábulario, ampliam horizontes e contatos profissionais e, no fim das contas, dão uma visão global de como a área funciona. Um contador que trabalha para uma confecção de moda certamente será um profissional melhor se entender como funciona um ponto de venda ou qual a dinâmica envolvida na preparação de uma ação publicitária. Não falo do cara que pretende tudo saber, mas do sujeito que é especialista em sua área, mas tem visão global do negócio para o qual trabalha. Isso, na Suíça, conta muitos pontos no currículo. É por isso que, se para nós brasileiros ter “n” diplomas, falar línguas e isso e aquilo e fazer um estágio numa mera loja signifique desvalorização profissional, para os jovens aqui é apenas um começo de carreira. Mas voltemos ao showroom.

Trabalhe e shut up
No terceiro dia de showroom rolou uma reniãozinha a noitinha com a gerente de vendas, que estabeleceu algumas normas para o trabalho dos estagiários. Levantei a mão no fim da reunião para fazer uma pergunta. Apenas perguntei a mesma se ela era gerente de vendas, pois seu cargo não havia ficado claro para mim no inicio da reunião. Juro, eu só queria estabelecer um contato, pegar um cartão de visitas… fazer um networking. Fiquei revoltada quando a mesma me disse: “Sim, sou a gerente de vendas. E agora por favor, sem mais perguntas!” 

Me perguntei seriamente o que eu estava fazendo ali.  

Eu aceitei esse trabalho tendo em mente que seria uma boa oportunidade de ter uma experiência – curta que fosse – no mercado do luxo (altamente segmentado, difícil de entrar, mas com boas oportunidades profissionais), e já que a equipe de vendas e marketing estaria no local todos os dias, quem sabe eu não poderia acompanhar alguns projetos de vendas, aprender um pouco sobre negociação nesse mercado, relacionamento com esse tipo de cliente de alto nível de exigência e uma olhada geral no marketing voltado a essa área. Devo dizer que nada disso rolou, pois ficamos tão ocupados em manter o showroom apresentável e em vestir as modelos com os looks escolhidos pelos clientes, que não foi possível essa interação profissional. Aprendi muito sim, mas em outras áreas.

Eu, na Place des Vosges

O fato é que, mesmo se houvesse tido tempo, o pessoal da Diane von Furstenberg no showroom em Paris não estava nem um pouco interessado em compartilhar nada. No fim das contas, eles mascaram esse trabalho com o nome de estágio simplesmente por que precisam de alguém para cuidar de tudo, não têm orçamento ou não querem pagar. Assim atraem jovens recém-graduados, interessados em moda e dispostos a aprender. Técnica de muitas empresas, aliás.

Almoço rolava tarde, isso quando não tinhámos que nos contentar com lanchinhos. E só conseguíamos almoçar depois de muito insistir…. E as modelos coitadas! No salto alto o dia inteiro, fazendo trocas de roupas a cada cinco minutos, morrendo de fome e tendo de fazer carinha de feliz. Todas as meninas reclamaram do atraso do almoço e da falta de pausa para descanso. Nos momentos de pouco movimento, eu ia à cozinha e preparava bandeijinhas com lanchinhos e doces e levava para as modelos. Nessa hora a gente sentava no chão mesmo para descansar as pernas e conversar sobre  qualquer coisa. Teve uma modelo francesa que reclamou geral (e com toda razão) das condições de trabalho e da falta de comida. E quando o almoço chegou nesse dia, veio frio e não tinha microondas. A garota reclamou, ficou puta da vida. Resultado: pasmem! foi mandada embora no dia seguinte. Achei o cúmulo.

Eu, no showroom, cara de exausta

O saldo é positivo
No fim das contas, o saldo foi positivo. Nesses vários dias aprendi um pouco sobre como lidar com pessoas e com suas exigências, estresse e situações de pressão. Aprendi sobre como um showroom funciona, como dispor roupas e acessórios para atrair a atenção do comprador e realçar as qualidades dos acessórios. Aprendi o que é um lookbook e a importância dele na hora de vender para lojas no mundo inteiro. Achei essa parte bem legal, pois tudo o que se faz num showroom nada mais é do que o marketing em estado bruto. É a venda de sonhos e conceitos que vai gerar a venda física do produto. No showroom você precisa vender o conceito da coleção para que o comprador entenda e “compre” a idéia para, mais tarde, vender a coleção em sua própria loja, em seu país de origem. A coleção precisa ser entendida por quem vai revende-la. 

Foi também muito bacana ver de perto as criações de uma estilista de ponta, aprender sobre essa coisa de inspiração, conceito das coleções, cores usadas e público-alvo. E o melhor de tudo foi ver o grande business por trás do glamour das belas fotos de coleções de roupas em revistas. Da criação dos croquis às campanhas de vendas B2B (business to business, ou seja, de empresa para empresas pois é isso que se faz num showroom), existe toda uma cadeia profissional, que além de movimentar milhões em dinheiro, emprega muita gente qualificada e movimenta a economia. 

O melhor de tudo foi que…
…Eu me esbaldei em Paris! Terminei meu trabalho dois dias antes do prazo por não aguentar mais o cansaço de passar 10, 12 horas em pé e comendo mal. Fiquei mais quatro dias na cidade e visitei Paris toda a pé. Foi o máximo! Cada rua uma surpresa, cada curva uma ruela escondida cheia de predinhos centenários, jardins inesquecíveis, cafés charmosos e toda aquela beleza que faz de Paris uma das cidades européias mais bem preservadas em termos de monumentos e arquitetura de época. 

Finalmente pude visitar o Montmartre e seus artistas de rua, Moulin Rouge e Sacré Coeur, lugares que eu não tinha ido nas outras duas vezes em que estive na cidade. Enfim, andar por Paris e conhecer a cidade sem pressa valeu cada dor nos pés e cada café da manhã com pão seco e margarina dura que eu tomei no albergue de 35 euros a diária em quarto privado SEM vaso sanitário, tendo que ir ao corredor do andar de cima fazer pipi no meio da noite! E o barulho da juventude chegando ao albergue às duas da manhã, me tirando do meu soninho merecido.

Fui ao Brasil em abril de 2011 e escrevi um artigo sobre como viajar a Paris gastando pouco para uma revista do Rio. Preciso procurar no computador e assim que achá-lo vou publicar aqui. 

Se eu pudesse resumir tudo isso em algumas expressões, seriam: aula de humildade, exercício de paciência, people skills (técnicas para lidar com pessoas), controle do estresse e profissionalismo. Tirei várias fotos no showroom que, infelizmente, se foram quando roubaram meu MacBook. Na ocasião, eu voltei de Paris com a certeza de que teria um blog de moda. Na época, eu postei esse texto em um blog de viagem que eu mantinha desde 2006 e onde já não escrevo mais.

Mal eu podia imaginar que um ano mais tarde eu voltaria à cidade luz já como convidada de um desfile de moda. Ano passado (2012) eu voltei a Paris, mas desta vez para assistir ao desfile de um estilista finlandês. Isto só foi possível graças ao Passaporte do Luxo, que finalmente saiu da minha cabeça e ganhou vida em junho de 2012.

beijos

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SOBRE o PL

O Passaporte voltou, sempre interagindo com seus seguidores, com dicas e informações do mundo da moda, beleza, turismo e decoração, com um olhar de quem vive buscando o inusitado!

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