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O que é um Personal Organizer + dicas sobre o mercado

O que é um Personal Organizer + dicas sobre o mercado

Sabe aquelas gavetas com alças e meias transbordando? E o armário da pia que de tão entupido a porta nem fecha mais? E o que dizer então da bagunça de panos, baldes e produtos de limpeza na lavanderia? Se você não tem tempo, não gosta ou simplesmente não consegue lidar com o caos – seja em casa ou na empresa – pode contar com a santa ajuda profissional de um organizador de ambientes. Conheça o trabalho de uma Personal Organizer + dicas sobre o mercado de trabalho para aqueles que gostariam de trabalhar na área.
Organize-Your-House-For-Free-With-Yellow-WallsPedi a Cintia Covre, organizadora de ambientes da Otimiza Design, para responder algumas perguntas sobre a profissão pra gente entender melhor como funciona esse trabalho. E para dar dicas àquelas que sonham em se tornar personal organizer profissional. E aguardem que vamos explorar a organização de ambientes da casa em outros posts. Por hora, fiquem com a entrevista da nossa Personal Organizer.

Cintia, como você começou na profissão?
Eu trabalho com organização desde 2001, quando arrumava as gavetas de algumas amigas e uma delas me disse que eu poderia ganhar dinheiro com isso. Até então, não ganhava nada. Em 2006, me mudei para Salvador, em virtude da abertura da filial de uma empresa de transportIMG_5309es da família. Eu trabalhava como gerente administrativa, a organização ainda era um hobby. Nessa época, às vezes o trabalho era pago! Como eu não conhecia ninguém na cidade, resolvi voltar a estudar e fazer um MBA em Gestão Empresarial. No final, decidi fazer meu TCC sobre um ramo novo de serviços que estava surgindo no país, os serviços de Personal, e um deles era o de Personal Organizer. Assim nasceu a Otimiza, em 2009, fruto do meu TCC. Iniciou já grande, atuando em São Paulo e também em Salvador e hoje atua somente em São Paulo.

Qual o nome correto da atividade exercida pelo profissional organizador?
O termo geral é Personal Organizer, mas eu prefiro Organizadora de Ambientes.

Sempre gostou de organizar coisas? Como descobriu o talento para organizar
Eu comecei organizando os armários das amigas. Sim, sempre gostei e sempre me incomodei com a bagunça alheia, mas não como uma repulsa ou uma crítica. Eu olhava e já perguntava se não podia ajudar a arrumar tal local. Na infância, minha irmã mais velha descobriu essa minha vocação antes de mim e sempre deixou o armário para que eu arrumasse! rs

Qual a maior dificuldade deste mercado profissional?
A falta da percepção de valor antes do serviço ser realizado, e achar que a organização é um serviço supérfluo.

Quais cursos você recomenda para quem busca uma formação na área?
Sinceramente, os cursos mais conhecidos hoje eu desaprovo. Ao invés de focar em empresas que vendem produtos e cursos relacionados a organização, se quiser fazer cursos, procure primeiro as dicas de organizadoras e seus cursos próprios. A profissão de organizadora é parecida com a de cantor, bailarina e outras, nas quais a gente deve ter vocação. Cuidado com quem vende um pacote completo.

Onde estão e quem são os maiores clientes?
Os clientes estão em todos os lugares. Depende da segmentação que você fizer do seu negócio. Algumas organizadoras só dão consultoria. Outras, só organizam armários. A Otimiza, minha empresa, trabalha em todos os segmentos, mas é forte em parcerias B2B, onde atua como valor agregado para serviços de grandes empresas, garantindo uma diferenciação no mercado.

Você acha que a profissão carece de reconhecimento? Ainda é vista como luxo?
Hoje, as pessoas já param para pensar sobre o assunto, já melhorou um pouco. Eu desbravei o mercado. No MBA (quando formalizei a empresa, já que a Otimiza foi meu TCC) meu tutor me perguntou se eu estava mesmo pensando em arrumar as coisas dos outros como uma governanta de luxo e desperdiçar meu potencial. Mas, ainda hoje é vista como um serviço caro, para poucos. Sim, um luxo.

Como cobrar pelo serviço?
Desde a criação, estudei a concepção de preço para que o serviço fosse viável. Assim, dividi cada tipo de serviço, seu valor de hora e valor para o dia todo de serviço. Cada tipo de serviço tem um valor de hora, assim fica mais fácil calcular orçamentos justos para cada cliente.

Quais dicas você daria para quem quer se tornar um bom personal organizer?
Veja primeiro se você é capaz de organizar as coisas dos outros. Muitas pessoas são super organizadas, mas na sua casa, na sua área de conforto. Não é uma profissional de organização, é uma pessoa ordeira, digamos assim. Depois disso, entre na internet e veja tudo o que puder, reproduza os serviços, as técnicas e tenha senso crítico para saber se leva jeito pra isso. Daí, procure fazer organizações para amigas, mesmo que em forma de permuta, e depois procure um curso bem legal com alguma profissional, que pode até ser online.

Qual a maior dificuldade das pessoas na hora da organização?
O descarte, o desapego das coisas que já não usa mais e que muitas vezes não tem valor emocional envolvido. É um apego pelo consumo, mesmo.

Quais os maiores problemas na organização de uma casa?
A organização em si é simples para quem trabalha na área.O maior problema é quando a pessoa tem duas vezes mais coisas do que espaço disponível e não quer viver dentro da sua realidade de espaço. Existem técnicas que ajudam muito, muito mesmo no ganho de espaço e na organização geral, mas muitas vezes, sem o descarte necessário, a funcionalidade da organização pode ficar comprometida. Até porque organizar não é deixar o local bonito e sim funcional, para que as pessoas consigam mantê-lo sempre e valorizar o serviço, que não pode ser descartável. Ficar tudo bonito é uma consequência óbvia!

Conheça a Otimiza Design.

Gostaram meninas? O que acham do trabalho de um organizador de ambientes? Eu confesso que se pudesse teria um aqui em casa todo mês, apesar de eu me considerar uma pessoa organizada acredito que um profissional usa técnicas mais elaboradas e funcionais na hora de por ordem na casa!
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Confira o que Caroline Bittencourt acha sobre os perfumes

Confira o que Caroline Bittencourt acha sobre os perfumes

Apesar de o Caio Castro ter sido a atração principal ontem na festa da Joop!, foi com a atriz e apresentadora Caroline Bittencourt que eu bati um papinho ligeiro sobre fragrâncias. Confira o que Caroline Bittencourt acha sobre os perfumes e do que ela mais gosta. Na foto abaixo, Caroline e eu (a luz não ajudou, sorry).

Confira o que Caroline Bittencourt acha sobre os perfumesConfira o que Caroline Bittencourt acha sobre os perfumes

 

Passaporte do Luxo – Carol, qual o papel do perfume na sua vida?
Caroline – Eu acho que o perfume é uma extensão da personalidade da pessoa. Sou daquelas que gosta de usar um perfume só pra deixar marcado. Porque às vezes ao sentir um cheiro lembramos de uma pessoa, de algo. Perfume é isso, uma coisa que marca.

PL – Uma mulher sem perfume é…
Carol – Tem gente que gosta do cheiro natural da pele. Mas acho que a mulher pode até estar nua, mas tem de ter um perfume, um algo a mais.

PL – Já aconteceu de o perfume atrapalhar? 
Carol – Tem muito isso, mas gosto é gosto. Já teve várias situações em que eu não quis ficar perto de determinada pessoa por causa do cheiro. Tem gente que peca pelo excesso. O cheiro pode ser até bom, mas se passar demais dá dor de cabeça!

PL – Você prefere os florais, frutais, doces… Qual o seu tipo de perfume favorito? 
Carol – Estou numa fase mais doce, gosto de cheirinho mais adocicado, femininos.

 

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Confira bate papo com a estilista de vestidos de noiva Carol Hungria

Confira bate papo com a estilista de vestidos de noiva Carol Hungria

Na tag CASAMENTO de hoje uma conversa com a estilista Carol Hungria, do Rio de Janeiro, que mantém um ateliê de vestidos de noiva na cidade. Confira a entrevista e veja dicas para acertar na escolha do vestido tanto da noiva quanto das madrinhas!

Por Eloah Dias

O charme carioca com a criatividade brasileira, e o acabamento com padrão internacional traduzido em vestido transformaram a estilista Carol Hungria uma das queridinhas das noivas do Rio. A frente do atelier que leva seu nome e que funciona no Rio de Janeiro desde 2007, tudo é produzido sob o olhar atendo de Carol.

Confira bate papo com a estilista de vestidos de noiva Carol Hungria

Eloah Dias: Vestido de noiva tem mesmo tendência ou no final a noiva escolhe o que ela gosta independente da moda ou das tendências apontadas?

Carol Hungria: Acho que os vestidos de noiva precisam ser mais clássicos, mais atemporais. Aquela velha história que a noiva precisa olhar a foto do vestido daqui a 20 anos e se achar linda! Mas acho que podemos fazer isso sem perder todas as inspirações que estão a nossa volta, o que na verdade na minha opinião só acrescenta personalidade para o vestido.

As tendências existem, claro, só que para vestido de noiva demoram a se reciclar, pois na verdade a noiva que mandou fazer o seu vestido agora só deve casar em média 1 ano depois, então a moda é mais lenta para se atualizar. Mas acho importante a noiva ter um estilo próprio, ter idéia do que quer passar, mesmo seguindo tendências.

Confira bate papo com a estilista de vestidos de noiva Carol Hungria

Eloah Dias: Quando as noivas pensam em renda as francesas são a primeira opção. É um pensamento folclórico ou realmente para o caimento e fluidez necessária a esse vestido, elas são as melhores mesmo?

Carol Hungria: Sim, as rendas francesas sem dúvida são as melhores do mundo pelo seu design, caimento e qualidade. São rendas que tem uma leveza que nenhuma outra tem, e que vão durar uma vida inteira.

Confira bate papo com a estilista de vestidos de noiva Carol Hungria Eloah Dias: A produção nacional tem competitividade perante os tecidos, rendas e bordados internacionais?

Carol Hungria: A mão de obra nacional especializada é excelente e não perde em nada para a mão de obra internacional. Já a produção de tecidos é bem fraca e com poucas opções no mercado brasileiro. A maioria dos produtos que usamos termina sendo importado, não temos nem a opção de escolher entre um nacional e um importado!

Eloah Dias: No mundo dos vestidos de noiva há espaço para tudo: volumes, cortes e comprimentos para todos os gostos, vestidos curtos, coloridos e até preto. Isto pode ser considerado tendência, contemporaneidade? Fale um pouco sobre esse aspecto.

Carol Hungria: Sim, acho que atualmente há espaço para tudo, pois os vestidos são cada vez mais personalizados! Então tem noivas que querem ser princesas e outras que querem passar quase despercebidas; outras mais ousadas, é da personalidade de cada uma. Isso reflete em todos os aspectos da festa como local, horário, decoração… Acho o máximo poder trabalhar com algo tão especial e poder criar pensando em cada noiva.

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Eloah Dias: A combinação hippie chic e minimalismo é chic para o vestido de noiva?

Carol Hungria: Sim, acho que é uma combinação bem comum inclusive! A maioria dos casamentos mais despojados tem essa pegada. Conseguimos fazer um vestido de noiva deslumbrante sem precisar de muitas informações e ao mesmo tempo trazendo um toque vintage que não deixa nunca de ser moderno!

Eloah Dias: Que dica de moda você daria as mães, madrinhas e noivas ao pensarem seus modelos para essa data tão importante? Muitas noivas me perguntam como devem se vestir suas madrinhas e mães, incluindo a do noivo. Eu sou sempre favorável aos vestidos longos, em qualquer hipótese. Mesmo que o casamento seja na praia, ou na serra, num horário bem cedo, sempre acho que podem surgir convidados desavisados, prontos para uma festa de gala. Se isso acontecer, seu cortejo pode estar mais desarrumado que essas pessoas.

Carol Hungria: Então, mesmo que a festa e a cerimônia tenham climas mais despojados, se preocupe em deixar seus convidados especiais do altar à altura do que eles representam.

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Eloah Dias 
Cerimonialista e Wedding Planner, aparece aqui no Passaporte todas as terças pra dar dicas e falar das últimas tendências do universo do CASAMENTO.
Casamento e Outras Coisas.

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Profissão: designer de chapéus. Graciella Starling e a alta chapelaria brasileira

Profissão: designer de chapéus. Graciella Starling e a alta chapelaria brasileira

Quando a gente pensa em chapéus logo vem à cabeça a imagem de um casamento ou evento tipicamente inglês. Na verdade, quem não lembra de Kate Middleton, a duquesa de Cambridge e esposa do príncipe William, ao falar de chapéus hoje em dia? 

Mas para provar que nosso Brasil tem de tudo e mais um pouco e que criatividade, talento e elegância NÃO são exclusividade dos english people, o Passaporte do Luxo conversou com uma designer brasileira de chapéus, a Graciella Starling.

Pós-graduada em design de acessórios pela IED Barcelona, Graciella se especializou em chapelaria de alta costura pela London Fashion School, e em “Hairdesign” (design de cabelo) com foco em penteados e técnicas para chapéus, pela London Hair Academy.

De acordo com Graciella, foi ela quem introduziu no mercado nacional o conceito de “alta chapelaria”. São chapéus, casquetes e fascinators feitos à mão e sob medida que favorecem as peculiaridades de cada rosto, e usam o próprio cabelo como base para o adorno. “Não existe fórmula. Existe técnica e muito estudo em cada caso”, diz a designer.

Dos burlescos chapéus adornados com flores, penas e fitas do início do século XX às peças leves e elegantes de hoje, o chapéu entrou e saiu de moda ao longo das décadas. Para muitos, continua sendo símbolo de elegância e refinamento. Dos básicos bonés e chapéus simples com ou sem aba, chapeleiros criam incontáveis peças usando os mais diversos materiais. 

A seguir, uma entrevista muito bacana com a Graciella Starling, que nos conta, entre outras coisas, qual cabeça famosa ela gostaria de adornar com suas peças.

“É possível ser discreta e diferente ou até mesmo extravagante e elegante. Harmonia entre personalidade e figura é a combinação perfeita”.


Passaporte do Luxo – Como foi o seu começo de carreira no Brasil após ter morado na terra onde chapéus são um “must” em qualquer evento social? 
Graciella Starling – Na verdade sempre fui fã de chapéus, desde meus cinco anos (aonde minha memória chega) pedia mamãe para mandar fazer chapéus combinando com minha roupa. Em Londres passava despercebida, aqui no Brasil sou notada e comentam, mas gosto do novo. Me agrada o fato de estar implantando um novo conceito. 

 
PL- Como é trabalhar com alta chapelaria em um mercado onde não existe a cultura do chapéu?
Graciella – Difícil, mas prazeroso. O fato de não termos a cultura me obriga a estudar mais para passar a informação certa. Adoro ensinar e descobrir novas possibilidades. É isso que a chapelaria proporciona pra mim: um mundo novo.
PL – No Brasil, quais são seus principais desafios?
Graciella – Cultural. O Carnaval é o maior deles. Diferenciar alegoria da chapelaria. Também o medo do novo. O perfil de tendência no Brasil é diferente do exterior.
 
PL – Quem são seus clientes?
Graciella –  As noivas são hoje o meu maior público, mas estou criando uma nova vertente para as mulheres chiques e elegantes. Quero estar em grandes eventos sociais, não só na moda das passarelas.
Quero mostrar para as mulheres que é possivel levar a chapelaria para as grandes ocasiões sem ficar caricata.
PL – Você acredita que o boom econômico do Brasil e o crescimento do mercado do luxo vai ajudar a tornar mais “popular” o acesso a serviços como os oferecidos pela sua empresa?
Graciella – Todo material é importado e isso eleva o custo de produção. A alta chapelaria (slogan criado por mim ) requer elegância, ocasião e poder de compra. Se falta um desses itens, ela se torna inviável.  
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PL – Qual cabeça você gostaria de adornar com seus chapéus? 
Graciella – Kate Middleton (a duquesa de Cambridge e esposa do príncipe William). Elegância e simplicidade em pessoa. Ela é a princesa do mundo hoje. Digna. No Brasil procuro mulheres elegantes. Camila Pitanga tem personalidade e elegância para usar. E claro, Carolina Ferraz, que é um ícone na moda bem usada hoje.
PL – O que é mais importante na hora de desenhar um chapéu?
Graciella – Leveza. A peça deve ser leve e confortável. Nao é fácil se manter alinhada com um peso extra na cabeça.
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PL – Quais são suas influências artísticas e como elas te ajudam a criar suas peças?
Graciella – A arquitetura e minhas origens barrocas. Essa mistura é a essência da minha criação.
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PLO que você diria para alguém que pensa em entrar em um mercado tão fechado e especializado como a chapelaria de luxo?
Graciella- Qualquer coisa que você faça precisa amar e acreditar. Faça com verdade e estude muito. Técnicas de chapelaria não se aprendem do dia para a noite.
PL – Na sua opinião, qual famosa usa e fica bem de chapéu?
Graciella – Carolina Ferraz, Adriane Galisteu, Camila Pintanga. Mulheres de personalidade e elegância. Essa é minha palavra de ordem.
 
Graciella (à esquerda) no programa Amaury Jr.

Quer ver mais artigos sobre chapéus? Clica aqui

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Entenda como é o trabalho de um designer de iates

Entenda como é o trabalho de um designer de iates

Em nossa primeira entrevista aqui no blog, eu conversei com Christian Leyk, um designer nascido em Munique, na Alemanha e que viveu no Brasil até os cinco anos de idade.

Até então eu nunca tinha parado para pensar em como é o dia a dia profissional de um designer de iates. Aliás, eu nem sabia que eles existiam…

Christian estudou design industrial em Munique, trabalhou em Londres e já foi até webdesigner. Mas foi no mundo dos iates privados que ele se encontrou.

Confira abaixo como é ser um designer de iates e o que os clientes do setor esperam desse tipo de profissional.
Passaporte do Luxo – O que é design para você?
Christian Leyk – Para um designer, isso é lifestyle. Ser criativo é uma benção e uma maldição, e depois de um tempo tudo se torna design pra você. Mas é diferente de ser um artista. Artistas projetam-se a si mesmos, enquanto que o design é um serviço: nós refletimos o que é necessário em diferentes níveis e queremos mostrar isso ao mundo.

PL – Como o design pode ajudar a promover um produto ou um objeto como um iate?
CL – Design não pode ser confundido com estilo mesmo que estilo seja uma parte importante do que eu faço. Não é apenas uma questão de fazer algo bonito. Produtos têm de preencher vários requisitos, desde flutuar, no caso de um iate, até meras funcionalidades que irão deixar seus usuário se sentindo bem. Alguns aspectos serão o resultado dos engenheiros, mas muitas das funções intangíveis são de responsabilidade do designer.

PL – Em termos de especificidades da indústria do iate, o que é importante levar em consideração ao projetar uma nova peça? O que os ricos e afluentes querem?
CL – A indústria do iate é um lugar muito excitante para se estar. Nós criamos algo extremamente pessoal e as expectativas são bem altas, pois esses indíviduos são muito exigentes. No lado técnico, iates são protótipos que precisam ser desenhados, construídos, planejados e montados em um espaço de tempo incrivelmente curto, e precisam funcionar como um produto testado e aprovado. O designer precisa estar ciente de que o cliente vai passar seu tempo livre no iate, que é algo extremamente valoroso para ele. O que os ricos querem? Tudo e nada, como todos nós! Bons momentos. Excitação. Aventura talvez… Seja lá o que for, eles vão pagar para ter o melhor e não esperam nada menos que isso.

PL – Você pode nos dar alguns exemplos de design de iates que você considera bons?
CL – Bons designs são designs que fazem o proprietário feliz, e não é sempre o design em si que eu pessoalmente gosto ou considero de tirar o fôlego. O fato que Tom Perkins velejou milhares de quilômetros no “Maltese Falcon” me diz que que este foi um design de grande sucesso. Nesse caso, o iate também foi um marco importante no design de iates. Outros designs incríveis foram o “Eco” (desenhado por Martin Francis) e o “A”, desenhado por Philip Starck. Este último talvez não seja do gosto de todo mundo, mas design, no fim das contas, muda todo dia.

PL – Quanto custaria contratar você para desenhar um novo iate?
CL – Existe um cálculo muito simples: o custo do design se situa entre 5 e 10% do valor total do projeto. Contudo, esses números podem variar bastante, nem tanto por causa do que o designer faz – designs podem ser mais ou menos complexos – mas por causa da escolha do estaleiro e gerenciamento de projeto, que podem fazer um projeto ficar até 100% mais caro. No fim das contas, eu preferiria algo do tipo “o que é válido para você”. Eu não quero ser o designer mais caro, mas um cliente que procura barganhar geralmente não é tão apaixonado por iates como eu gostaria que fosse.

PL – Quais são as novas tendências no design de iates na Europa? Elas diferem muito do que se vê no Oriente Médio e Américas?
CL – Iates para clientes do Oriente Médio sempre foram muito diferentes dos feitos para clientes norte-americanos, e ambos são diferentes do que as pessoas gostam na Europa. No Oriente Médio, o tamanho do iate é determinado pela posição que o indíviduo ocupa na família/sociedade e as pessoas geralmente não ligam muito para espaço exterior. Os interiores são mais coloridos e o layout reflete a cultura deles. O típico iate norte-americano (mercado dos EUA) é menor que o europeu. Iates nos EUA têm decks pequenos e seus interiores são mais aconchegantes, com detalhes como cozinhas estilo campestre. Geralmente, a tendência de grandes iates é de áreas de tripulação cuidadosamente planejadas, sistemas de entretenimento incríveis e uma enorme coleção de “brinquedos” que incluem até submarinos. Há também uma tendência para iates de exploradores, permitindo que os proprietários saiam das rotas de costume e viajem para áreas mais remotas do mundo.

PL – Por que você escolheu trabalhar nessa indústria?
CL – Eu sempre amei o mar. Mesmo que não me lembre em detalhes, sei que cruzei o Atlântico três vezes em um navio antes dos cinco anos de idade. Eu tenho que admitir que iates não eram meu foco durante muitos anos. Estava claro para mim que eu queria ser um designer (também sou muito interessado em design de carros), mas no momento em que eu vi uma revista sobre iates de verdade (quer dizer, iates com mais de 30 metros) percebi imediatamente o que queria e combinei criatividade com barcos.

PL – Quem são seus clientes?
CL – O legal do mundo dos iates é que você encontra pessoas de backgrounds totalmente diferentes. Meus clientes vão de casais mais velhos que estão passando aos filhos os negócios da família, jovens empreendedores que fizeram milhões da noite para o dia, fortunas antigas, pessoas com visão de negócios ou simplesmente gente que adora satisfazer as próprias vontades e podem se dar ao luxo de fazê-lo. Clientes que eu vejo apenas no primeiro e último dia de projeto e aqueles que gostam de dividir o escritório cinco dias por semana. Essas pessoas vêm de todas as partes do mundo

PL – Por que alguém deveria contratar um designer de iates ao invés de comprar um barco pronto?
CL – É perfeitamente natural ir ao showroom da Riva ou Azimut e escolher seu modelo preferido. Claro, sempre é possível escolher extras como o tipo de madeira e materiais do interior. É como ir à Aston Martin ou à Ferrari. Grandes iates, contudo, não são como carros. São mais como casas. Ninguém compraria uma vila de luxo em um catálogo, você provavelmente conversaria com um arquiteto antes. Um grande iate é como uma casa, uma expressão da sua personalidade, ele reflete você. Estamos falando de sérias somas de dinheiro, portanto você vai querer o melhor possível, feito para você.

PL – O que o design diz sobre a pessoa? Que tipo de pessoa procura o quê?
CL – Vamos olhar além do óbvio. Claro que um iate é e sempre será um símbolo de status e com certeza mostra que a pessoa tem sucesso o suficiente para bancar esse tipo de vida. Uma grande vila, carros luxuosos e jatos privados também evidenciam dinheiro, então deve existir algo mais. Algumas pessoas já têm tudo, outras acreditam que um iate é a escolha mais óbvia do estilo de vida dos ricos. Finalmente, existem diferenças entre os tipos de iates: pessoas que amam uma vida mais reclusa e pessoas que amam o mar; há aqueles que gostam de competições e gostam de fazer parte de uma comunidade exclusiva. Para esses, iates rápidos e luxuosos são ideais.

PL – Clientes no Brasil?
CL – Infelizmente ainda não. Acredito que ainda não existam tantos clientes brasileiros no mercado, mas o cenário está mudando. O Brasil é o mercado mais interessante pra mim, pessoalmente falando. E o que o torna ainda mais interessante aos meus olhos de designer é que uma cultura multi-facetada com influências do mundo inteiro, incluindo a Europa. E por causa dessa conexão cultural com a Europa podemos nos relacionar melhor em termos de gostos e exigências.

PL – Para qual milionário ou celebridade você gostaria de desenhar um iate? Como esse iate seria?
CL – Eu adoraria ter desenhado um iate para o Ayrton Senna. Primeiro por que sua paixão e dedicação pelo que fazia me inspiraram de uma maneira sem igual e eu gostaria de tê-lo dado algo em retorno. Sem dúvida seria um iate veloz e teria de ser perfeito também. Teria de ser o retiro perfeito contra o lado barulhento da vida, um escape para ele e para as pessoas ao redor dele.

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SOBRE PL

O Passaporte voltou, sempre interagindo com seus seguidores, com dicas e informações do mundo da moda, beleza, turismo, entretenimento com um olhar de quem vive buscando o inusitado!

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