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Quem não gosta de se vestir bem? A roupa, os acessórios e os sapatos compõem não apenas um look, mas uma maneira de expressar nossa identidade pessoal e nosso senso de pertencimento a um determinado grupo. Através da roupa a gente mostra nossos gostos, estilo e até nosso estado de espírito. Infelizmente, algo tão legal quanto comprar roupas e montar um look acaba pesando na consciência quando a gente pára para pensar na crueldade e abuso cometidos contra animais em nome da moda. Nada justifica!

Falando de forma realística sabemos que ainda é difícil para a grande maioria das pessoas parar de consumir moda que sacrifica animais para fabricar produtos, mas entendo que temos de começar a partir de um denominador comum: conhecendo quais são as marcas de moda que NÃO usam o sofrimento dos animais para vender suas peças. As chamadas marcas de moda cruelty-free. O termo cruelty-free significa “Livre de crueldade” em referência aos maus tratos sofridos pelos animais. Se quisermos acabar com os maus tratos aos animais no mundo da moda, o primeiro passo é conhecer – e divulgar – as grifes que buscam formas alternativas de produção. No fim das contas, consumir de marcas que exploram, torturam e abusam de animais é também uma decisão ética. Comprar de forma consciente é uma escolha.

Mas o que são marcas de moda cruelty-free?

Na moda, o termo cruelty-free se refere ao bem-estar animal. Isso significa que durante a produção do item nenhum animal sofreu maus tratos. Cruelty-free também quer dizer que uma peça não contém nenhum subproduto de origem animal. 

Exemplos de itens de moda que usam métodos cruéis contra animais: casacos de pele – a pele é retirada com o bicho ainda vivo. Me dá arrepios só de imaginar! Bolsas e sapatos de couro de cobra: uma coisa são bolsas feitas a partir do couro de animais mortos – como o da vaca, abatida para o consumo da carne -, outra bem diferente é matar animais com o único propósito de servir à indústria da moda. Afinal, uma cobra píton é morta apenas para a confecção de bolsas e sapatos, seu sacrifício não tem por objetivo alimentar pessoas. É algo extremamente egoísta se pararmos para pensar. Matar um animal lindo apenas para ostentarmos um casaco de pele ou uma bolsa de R$15 mil. 

Para vocês terem uma idéia, só na Dinamarca 19 milhões de martas são mortas todos os anos por causa de suas peles (dados do PETA – People for the Ethical Treatment of Animals, a maior organizacao defensora de animais do mundo com mais de seis milhões de membros). E com isso, oito mil toneladas de amônia são jogadas na atmosfera todos os anos. O Banco Mundial elegeu a indústria de peles para vestir como uma das cinco piores indústrias do mundo para a poluição de metais tóxicos. Isso por que os processos de tingimento e tratamento das peles envolve substâncias como amônia, formaldeídos, peróxido de hidrogênio e outros agentes branqueadores. No Bangladesh, em um relatório publicado pelo PETA, 90% do couro exportado vem de uma favela onde a água resultante do processo de tingimento NÃO é tratada. De acordo com o Human Rights Watch Report essa água corre para o rio local, adoecendo moradores e expondo diariamente os trabalhadores aos efeitos tóxicos de tais substâncias. E isso acontece no mundo inteiro!

Não vamos citar – ou mostrar aqui por causa dos níveis macabros de crueldade – como esses animais são mantidos, torturados, confinados e mortos de forma extremamente aterradoras. É de chorar mesmo. 

Na beleza, o termo cruelty-free significa que o produto final não foi testado em animais. O que NÃO significa que o produto não contenha substâncias de origem animal. Se você busca produtos de beleza 100% livres de derivados de animais procure por produtos VEGANOS. 

Tive uma estola azul royal de pele de coelho. Era uma das minhas peças favoritas que infelizmente perdi nas ruas de Paris. Porém, ao comprar a peça, eu perguntei como ela tinha sido feita. A dona da loja me garantiu que só revendia peças que tinham sido confeccionadas a partir da pele de animais já mortos para o consumo da carne. Neste caso, a pele – que de outra maneira seria descartada – foi utilizada para fazer uma estola. Abater animais para consumo de carne é outra discussão que não cabe nesse post, mas o que quero dizer é que pelo menos abate-se o bicho com o objetivo de alimentar pessoas e não apenas para satisfazer nossos desejos consumistas. 

Top 10 de marcas de moda cruelty-free para seguir já!

Comecemos com as gringas:

SHRIMPS – Estou completamente APAIXONADA por essa marca. As peças são lindas de viver, tem peles artificiais que são luxo puro e todo o trabalho da marca tem influência artística na arte moderna. Junte-se a isso o fato de a empresa ter sido uma das pioneiras a liderar a discussão sobre cruelty-free fashion na Inglaterra lá nos idos de 2013. Além disso, 90% da força de trabalho na SHRIMPS são mulheres, e eles priorizam trabalhar com artesãos treinados por eles. Por exemplo, a empresa tem um atelier na Índia para a confecção de acessórios feitos à mão, tendo desenvolvido novas técnicas e inovações técnicas para uma produção sustentável.  Na última Paris Fashion Week, a empresa apresentou coleções feitas com fibras e lã de carneiro recicladas. O próximo objetivo da marca é substituir todas as embalagens por material reciclado. 

Stella McCartney – Tão bom ver uma marca clássica e mainstream que a gente ama fazendo uma moda cruelty-free de alto padrão! A grife tem como política de sustentabilidade o não uso de couro, penas e peles animais. A própria Stella é vegetariana, e decidiu, há muito tempo, não vender seus produtos na China, país onde a regulação oficial exige testes em animais. A marca de fragrâncias licenciada Stella McCartney, a COTY, só produz perfumes veganos. A grife realmente leva a sério seus valores de sustentabilidade e respeito aos animais. E por isso, baniu o uso de cotton vindo da Síria, Uzbequistão e Turcomenistão, parou de usar angorra em 2013,  não utiliza PVC, além de outras ações louváveis que fazem da marca uma das principais cruelty-free de luxo. 

Beyond Skin – Criada em 2001, a marca oferece sapatos veganos de luxo desenhados na Inglaterra e produzidos à mão na Espanha em pequenas quantidades (slow fashion). Achei super interessante que os sapatos da marca têm palmilhas feitas com 70% de papelão! E os saltos de plástico, as solas de resina de borracha 70% recicladas. Legal, né? Aposto que você deve estar imaginando se os sapatos são bonitos. São. E como! O que conferiu à marca citações em revistas como Vogue, InStyle, Bazaar e Marie Claire. 

Sustudio – Sapatos lindos e glamourosos para ninguém botar defeito feitos a partir de borracha reciclada e outros materiais sustentáveis. Vale conferir o Instagram deles para ver que sustentável também é sinônimo de BELEZA e luxo!

In the Soulshine – Marca que vale citar e que lançou inclusive uma coleção em parceria com o PETA – People for the Ethical Treatment of Animals, organização de proteção aos animais com mais de 6.5 milhões de membros no mundo todo. As camisetas são todas feitas com tinta vegana, e manufaturadas em Bali, onde eles mantém um ateliê pagando salários até cinco vezes mais altos que a média local. 

Marcas cruelty-free brasileiras

Básico.com – No nosso top 10 de marcas de moda cruelty-free para seguir já no Brasil, vamos começar com essa marca que acho super legal e interessante para quem busca uma moda basicona e simples. As peças, de algodão prima, não têm logos, estampas ou etiquetas! A Basico.com oferece lingeries, sapatos, bolsas e até perfumes para homens e mulheres. 

Insecta Shoes – Apesar do nome em inglês, a marca oferece sapatos veganos inteiramente produzidos no Brasil, com matéria-prima toda comprada no estado natal (RS) como forma de fomentar a indústria local e causar menos impacto ambiental no transporte. Os calçados são MUITO fofos! Destaque para as mochilas e os tênis estampados, e as pantufas e Oxford da coleção Zodíaco. Olhem os de sagitário que lindos. Foto

Flavia Aranha – Só de ler o “Sobre nós” no site da marca a gente já se apaixona pelo texto fluído e bem escrito. Entre os pilares da marca estão a prioridade ao design brasileito feito com matérias-primas do nosso país, o uso de tecnologias com impacto positivo no meio ambiente, a valorização do saber manual passado de geracao em geracao e humanização da mão de obra. O site deles é lindo e vale muito a visita. As roupas têm uma pegada alternativa e elegante com foco no conforto. Foto

King55 – Marca gaúcha de moda vegana com uma gama de itens para homens, mulheres e crianças. Apoiam o comércio local e acreditam que “ter consciência é ter estilo”. O destaque fica por conta da vasta coleção de calças e das bermudas camufladas.

Nicole Bustamante – Resolve incluir essa marca porque além de roupas sustentáveis, oferecem também itens para o lar seguindo os mesmos princípios cruelty-free, com uma produção mais autoral, peças únicas e feitas à mão. Propoem um lifestyle sustentável. Vale conferir. Destaque para a linha de home decor, com pratos e canecas clássicas e minimalistas. 

É sempre bom ir lá no site das marcas ler como eles realmente fazem as coisas, a missão e filosofia da empresa. Tem muita gente pegando onda em termos como “sustentável” e “cruelty-free” sem necessariamente respeitar esses conceitos. E lembre-se: comprar de forma mais consciente ajuda não somente as marcas, que geralmente são pequenas, mas dá aquele suporte para artesãos e produtores de matéria-prima locais, além de incentivar outras empresas a adotarem métodos cruelty-free de produção. 

Menções honrosas

Armani – a marca italiana anunciou, em março de 2016, que renunciaria ao uso de peles de animais.
Ralph Lauren – abandonou o uso de peles animais após uma negociação com o PETA, em 2006.  Calvin Klein – produtos livres de peles desde 1994.
Tommy Hilfiger – fabrica peças livres de pele desde 2007, além de apoiar causas animais como a fundação Elephant Family.
Vivienne Westwood – livre de peles desde 2007.

E você, como vê a relação consumo-bem-estar animal? Gostou do nosso top 10 de marcas cruelty-free para seguir já? Abriria mão de consumir algo que usa métodos cruéis com animais? Sobre esse assunto, traremos um top 10 de marcas de cosméticos veganos em nosso próximo post. Nao esquece de se inscrever na newsletter para receber as novidades!

Foto: Alin Luna from Pexels

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