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Cinco lições da quarentena 2020

Eis que 2020 mudou nossas vidas. E de forma definitiva, eu diria. Estou há dois meses em casa com meu filho. Até o fim de abril tinha trabalho e me virava para fazer home office, cuidar da casa, do meu filho e manter a sanidade diante de tudo o que estava acontecendo ao meu redor. Maio chega e eu, já desempregada como muitos, continuo em casa. Começa a reabertura, mas a creche segue fechada e interações sociais continuam proibidas. Sigo aqui com meu pequeno enfrentando as dores e as delícias do distanciamento social, mas hoje, quero dividir com vocês as lições da quarentena 2020. O que esse período tem significado para mim, e como ele tem afetado minhas emoções, minha maneira de ver as coisas, a maternidade e minha relação com o mundo.

Ok, culpa – a quarentena trouxe culpa! Sim, culpa por ver meu filho sentado horas diante da televisão. Culpa por sentir preguiça de ir caminhar. Culpa por não ter brincado o tanto que eu deveria (ou que pelo menos acho que deveria), porque a mamãe aqui também quer um tempo pra ela depois do trabalho, quer fazer as coisas dela. Culpa por rezar para chegar logo a hora dele dormir pra eu poder finalmente estar sozinha e em silêncio. Mas chegou um momento em que eu decidi que tudo bem eu sentir essa culpa. A culpa bate, eu deixo estar e aceito que sim, não sou menos mãe por dar graças a Deus quando meu filho vai dormir e eu finalmente posso sentar no sofá e não fazer absolutamente nada. 

Aceitar a culpa é o primeiro passo para conviver bem – e até se livrar – dela.

A vida pode ser mais simples – e como pode, em todos os sentidos. E a simplicidade também encontra lugar no fato de sermos forçados a nos limitar ao nosso bairro. Pela primeira vez eu ANDEI no meu bairro, descobri áreas rurais que nem sabia que existiam, explorei novas ruas nas minhas caminhadas e percebi que a vida pode – e deve – ser mais local. Isso é também uma forma de viver no e estar mais presente. Aquele sentimento de “urgência” em saber de tudo, de ter assistido a tudo, de ter respondido a todas as mensagens… tudo isso fica em segundo plano. A gente volta ao essencial, que é se alimentar, caminhar, conviver uns com os outros sob o mesmo teto, dormir e acordar todos os dias vivendo uma vida mais simples e limitada.

Tempo é algo relativo – reclamamos muito da falta de tempo, mas o tempo nada mais é que uma percepção e como tal, sua passagem é relativa e varia de pessoa para pessoa. A quarentena me forçou a ficar em casa com meu filho e, depois de seis semanas e já sem emprego, percebi que POUCAS coisas na vida são, de fato, urgentes. A gente vive sem barzinho, sem festa, sem roupa nova e sem o frisson de estar todo dia na cidade. Muitas coisas das quais eu atribuía importância são na verdade insignificantes diante do que estamos vivendo. É um desafio, mas conseguimos. Difícil mesmo é viver somente consigo mesma ou com outra pessoa que necessita da gente em tempo integral. Temos que pausar, parar, desacelerar. Estar PRESENTE, viver um dia de cada vez pois, afinal, a pandemia não nos deixa saber quando e nem se retornaremos à normalidade. Aliás, fica a pergunta: normal era o que era antes ou normal é o que passou a ser agora?

Esse modo de vida mais local, mais presente e menos futuro do pretérito, mais simples e desacelerado seria o novo normal ou um retorno ao que um dia fomos?

Não precisamos de metade do que temos – dá para viver tranquila com 20% das roupas e sapatos que temos. Durante o confinamento, usei praticamente as mesmas coisas toda semana. A maioria das roupas, sapatos e acessórios ficaram intocados. A gente descobre que consegue viver com beeeem menos de tudo. Logo, aquela urgência em adquirir coisas novas vai dando lugar a uma consciência menos consumista. O resultado disso é que nesses dois meses de quarentena eu gastei bem menos dinheiro e consegui chegar ao final do mês com a conta positiva. Sério! Uma tremenda conquista pra mim. Nada de gastar com comida fora, nem com bobagens baratinhas que fazem o dinheiro desaparecer sem a gente perceber. E como acabamos não usando tudo o que temos, a vontade de comprar coisas novas vem e vai embora rapidinho. Fiquei mais seletiva e mais criteriosa com o que compro. 

Estar presente no presente – como falei acima, aquela urgência em sair, ver gente, assistir ao seriado do momento, fazer mil planos para o fim de semana. Tudo isso se torna secundário, afinal, que planos faremos se estamos quarentenados sem saber quando poderemos sair? Isso me deixou menos ansiosa e mais presente na minha própria vida. Troco mensagens de texto e faço video calls com um monte de gente todo dia. Voltei a escrever aqui no meu blog com muito mais frequência e passo bastante tempo fazendo vários NADAS.

Estou descobrindo o poder e o deleite de poder não fazer nada a hora que eu quiser.

Efeito localidade – além de ter explorado mais o lugar onde eu moro, por conta da quarentena eu privilegiei o comércio local. Faz dois meses que nunca mais comprei um ovo fora do meu bairro. Mesmo que eu faça compras em uma rede de supermercados grande, o fato de usar sempre a filial do meu bairro é positivo, pois garante que a demanda local continue em alta mesmo em tempos de crise, evitando assim o corte de empregos naquela unidade. Outra coisa: onde moro tem um lago há uns 3, 4 km de distância da minha casa. Acreditam que em dois anos, só fui duas vezes? Sempre tinha um lago mais lindo pra ir ver, em outra cidade, ou “andar nas margens do Isar”, o rio de Munique. Pois, o sol voltou e eu corri pro lago de Germering! Por que será que temos a mania de menosprezar o que tá ali na nossa frente pra ir atrás de algo supostamente “melhor”, “maior”, “mais bonito”? Esse efeito localidade faz com que a gente valorize tudo o que é local. E isso é muito POSITIVO. 

E por aí? Divide aqui comigo quais lições a quarentena da Covid-19 está deixando na sua vida. 

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