Livros – 50 tons de liberdade é dispensável e sem história

Como prometido, aqui vai a resenha do terceiro volume da trilogia 50 tons de cinza. Esta vai ser uma resenha curta, pois o livro 50 tons de liberdade é dispensável e sem história. Durante a leitura fiquei com aquela impressão de que a autora só escreveu esse título a pedido da editora e contra um gordo cheque, quando na realidade já tinha encerrado a história no segundo livro. O volume não acrescenta nada de novo à história original. Suas mais de 400 páginas poderiam ter sido resumidas num belo epílogo ao final de 50 tons mais escuros, o segundo livro da trilogia.

Livros - 50 tons de liberdade é dispensável e sem história

Em 50 tons de liberdade Ana e Christian já estão casados, e o início é uma lenga lenga sobre a lua-de-mel deles, regada a sexo, iates de luxo e passeios pela Europa. Na volta, Anastasia se vê oprimida por tanto luxo e riqueza, decide continuar trabalhando e ir em busca de seus sonhos numa tentativa de provar para si mesma que sabe viver sozinha e não precisa de um tal Sr. Grey sexy e podre de rico controlando sua vida. Mas, não dispensa o Louboutin nem os vestidos de seda, muito menos o carro com motorista. Sem falar nos guarda-costas… Bom, daí a autora inventa uma história de suspense sem pé nem cabeça saída do segundo livro numa tentativa desesperada de dar alguma emoção ao insosso e tedioso 50 tons de liberdade.

Agora marido e mulher, a relação do Sr. e da Sra. Grey é de dominação e machismo: ele usa o sexo para se vingar de qualquer coisa que o tenha desagradado em longas sessões de sacagem consentida. Em uma das cenas que evidencia o domínio de Christian sobre Anastasia, ainda na lua-de-mel, após fazer um topless a contragosto do marido a moça tem seus seios marcados a chupões pelo amado numa tentativa bem-sucedida de fazê-la escondê-los pelo resto da viagem. E assim continua: Christian se fecha em seu mundinho, distribui ordens a torto e a direito e Ana obedece.

É uma relação de poder e submissão. Acho mesmo que uma relação BDSM seria mais saudável e respeitosa que a relação amorosa deles. Uma relação BDSM é consensual, há limites e um mínimo de respeito. Christian, ao contrário, não conhece limites e tudo é motivo para invadir a privacidade da mulher, dizer coisas do tipo “Você não precisa trabalhar mais” e, inclusive, decidir o tipo de parto que ela vai ter no final do livro (uma cesariana agendada. Oi?)

Enfim, o livro termina com eles casados, felizes e à espera do segundo filho. E claro, mesmo de barrigão e tendo um molequinho de dois anos para correr atrás, Ana tem muuuito fôlego para sessões de sexo sacana bem apimentadas.

Enfim crianças, poupem vosso tempo dessa leitura inútil e parem no segundo livro.

Christian abre a boca, tem olhos cinzentos. Christian está nervoso, seus olhos são cinzas. Christian anda, olhos cinzas ardentes. Christian dorme, olhos de um cinza profundo. Christian come, olhos cinzentos em chamas. Christian me olha, olhos cinzas em olhos azuis. E isto é um bom resumo deste livro.

Fim.


Keywords: livros, miscelânea, Trilogia 50 tons de cinza
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